
Ao examinar a psicanálise sob uma nova perspectiva, este livro sugere implicitamente sua legitimidade enquanto disciplina acadêmica ao mesmo tempo em que faz uma alusão à necessidade de alguns acréscimos ou correções. A defesa da psicanálise é fundamentalmente uma resposta ao pragmatismo e à impaciência inerentes ao mundo moderno, cuja ânsia na busca por soluções imediatas para as vicissitudes emocionais, relegando às sombras as profundezas do sofrimento humano, tem exacerbado ainda mais a aflição da mente humana. Não obstante, apesar da psicanálise ter atestado sua eficácia como instrumento para a ampla compreensão do aparato psicológico humano e também para a remediação de comportamentos psíquicos considerados indesejáveis, evidencia-se claramente sua falha devido ao que deliberadamente opta por ignorar, persistindo em relegar ao ostracismo: A metafísica.
Pode-se dizer sem qualquer reducionismo grosseiro que são três os assuntos que deram origem à necessidade de uma nova abordagem psicanalítica. Primordialmente, destaca-se a ausência de uma matriz transcendental intrínseca à psicanálise, além da carência de uma teoria da personalidade que possa abarcar tal dimensão do ser. Além de tudo, o livro elabora uma nova concepção do superego, visto que a concebida por Freud se revela falha em sua essência.
Esta obra delineia a junção de teorias preexistentes, aparentemente divergentes, com os dogmas da psicanálise, ressalvando, no entanto, a contribuição pioneira e imprescindível quanto ao novo paradigma do superego. Extrai das Escrituras Sagradas – um recesso improvável a um leitor desprovido de fundamento teológico – a audácia de identificar a internalização moral na psique como um dos maiores males da condição humana.
